Pátio de São Pedro

O Pátio de São Pedro, tal qual sua configuração urbana atual, surgiu da construção da igreja que lhe deu o nome nas primeiras décadas do século XVIII.

Antes da edificação da igreja, havia no local apenas uma horta e seis casas de morada assentadas junto às trincheiras holandesas. As casas foram destruídas para dar início à construção da igreja em 1728, tendo sido, inclusive, aproveitada parte do material demolido do casario na obra da igreja.

Em mapas do século XVIII, como em um datado de 1771, pode-se visualizar a ocupação do lugar e a forma do Pátio.
Por esse plano de Santo Antônio pode-se ver que a Igreja de São Pedro dos Clérigos está isolada, entre dois espaços não-construídos, sendo aquele fronteiriço à fachada principal da igreja o Pátio de São Pedro dos Clérigos. Um espaço mais amplo do que o outro e que, a partir de seu formato – um trapézio que se afunila em direção à igreja, propicia um maior destaque ao monumento religioso.

A configuração urbanística do pátio era isolada do resto do conjunto urbanístico da cidade por meio de quadrilátero quase fechado por casas que circundam a igreja. É provável que tal configuração mais ou menos hermética, com perspectivas marcantes, tenha sido propositalmente pensada pela Irmandade de São Pedro dos Clérigos, já que, antes da construção da igreja, se passou bastante tempo entre a tomada de decisão até a idealização definitiva da planta. Tudo indica que o conjunto de casas também foi pensado, já que passavam a pertencer à irmandade as seis moradas e a horta.
Essa forma do Pátio, a inserção da igreja, o desenho das ruas e a forma das quadras são muito próximas da configuração atual, tendo havido apenas pequenas transformações ao longo do tempo, como se pode ver no item Integridade.

É provável que nos séculos XVIII e XIX, como apontou o historiador pernambucano José Luiz Mota Menezes em entrevista, o Pátio fosse ocupado por moradias de pessoas não-abastadas. Segundo o historiador, desde os planos para a Ilha de Antônio Vaz, no período da ocupação holandesa, o bairro foi pensado como local de moradias simples. Os vestígios dessa simplicidade estão nas dimensões das casas. Essa suposição é corroborada pelos estudos do arquiteto Nestor Goulart Reis, publicados no livro Quadro da Arquitetura no Brasil, que relaciona as casas térreas a moradores de posses limitadas.

Como pátio, deve ter tido sua importância na vida religiosa da paróquia local, mas, como não existem significativos registros da vida cotidiana no Pátio, não é possível balizar o grau dessa dinâmica.  Segundo José Luiz Mota Menezes, citado em monografia do historiador Fernando Guerra, os pátios do Recife nasceram com funções religiosas, porque as cidades coloniais eram organizadas de acordo com princípios religiosos. Eram, então, usados para realização de procissões, missões e outros rituais.