Capela Dourada

A Capela Dourada, também chamada Capela dos Noviços, pertencente à Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Recife, teve o lançamento da sua primeira pedra no dia 13 de maio de 1696, pelo Capitão General Caetano de Melo Castro. Foi encarregado da sua construção o mestre pedreiro (português) o Capitão Antonio Fernandes de Matos, e tal foi o fervor com que se trabalhou nas obras que, apenas com as jóias (dadas como esmolas) das Mesas Diretoras e também esmolas dos irmãos terceiros, se conseguiu a sua abertura ao público no dia 15 de Setembro de 1697, tendo-se despendido com a sua construção, até aquela data a importância de 1.365$010 ( Hum Mil Trezentos e sessenta e cinco Contos e Dez Réis).

No dia 15 de setembro do ano de 1697, dezesseis meses depois de começada, foi aberta com toda solenidade pelo Revmo. Padre Comissário Visitador Frei Jerônimo da Ressurreição, logo em seguida, celebrou no altar-mor o Santo Sacrifício da missa”. “Ela ficou completamente terminada. Até 1724, ininterruptamente trabalha-se na igreja”. “E assim, pouco a pouco, cada ano novas obras eram compreendidas e somente depois de 1724 podemos considerar como concluídos todos os trabalhos da igreja”. Ela é toda entalhada em madeira (cedro), em estilo barroco, recoberta em gesso e lâmina de ouro.

A Capela Dourada, da Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Recife, monumental pelo seu ouro, numa afirmação do barroco nasceu daquele agitado fim artístico do século XVII de Luiz XV em França e de D. João V em Portugal, justamente com o apogeu financeiro de Pernambuco: senhores de engenho, abastardos, fidalgos, ricaços, irmandades riquíssimas, foram os dias dos móveis torneados, dos jacarandás trabalhados, dos cedros burilados e dourados depois. Riquíssima em ouro vê ali o barroco pela estonteante decoração anterior. O altar mor e as capelas, altares laterais são monumentos em obras de talha. Tudo era opulência, tudo era grandeza. A Capela Dourada reflete bem esse ambiente faustoso.

As Pinturas da Capela Dourada da Ordem Terceira de São Francisco do Recife, são de uma riqueza incrível, sem dúvida uma das derradeiras e mais vibrantes expressões de arte religiosa existente em Pernambuco. As telas, os seus riquíssimos painéis, lutando embora contra a surpresa dos anos e do descaso dos homens, através de séculos, atestam ainda, nos dias presentes, gloriosa revelação de artistas do passado. Infelizmente não sabemos os nomes dos autores dessas obras.

“Dois longos painéis, nas paredes laterais mostram os mártires franciscanos.”  Os frades missionários corriam caminhos da Europa e dos outros continentes. Um dia, cinco frades passaram por Coimbra, rumo a Marrocos, na África, onde iam levar o evangelho aos muçulmanos. Chegados a Marrocos, pregaram aos pagãos, mas foram aprisionados pelo Rei e condenados à morte por degolação. Fato que se deu no dia 16 de janeiro de 1220. Os restos mortais dos mártires foram transportados à Europa e na passagem por Coimbra, foram colocados na Igreja do Mosteiro de Santa Cruz. (Extraído do livro “Francisco mostrou o caminho”,  pg. 38 de Frei Hugo Baggio, OFM). Esses dois retábulos foram trabalhos executados entre os anos de 1707 a 1710. Os douramentos dos painéis foram terminados entre 1699 a 1700 uns, e 1715 a 1717 outros.